segunda-feira, 9 de setembro de 2013

[Thiago à Willian] Formas - premissas de um longo de debate

por Thiago D. Castro

Observaçõs iniciais - esse post é o primeiro de uma série que trará a tona um debate que aconteceu, acontece e, assim espero, acontecerá, entre esse que vos escreve e um estimado companheiro de turma, Willian. Durante toda a nossa formação na "erégia" (sqn) Pontífica Universidade Católica de Campinas no curso de História tivemos um embate amigável, mas extremamente polêmico e construtivo.

Uma citação muito interessante li uma vez no prefácio do livro "Karl Marx contra o barão de Murchaissen", de Michael Löwy. Dizia o comentador: "só quem possui tamanha sensibilidade pode se permitir a colocar um debate tão sério sob o olhar de uma metáfora ou um conto infantil." Tal debate é entre duas linhas teóricas, o positivismo e o marxismo (ou o materialismo histórico).
Os chamados "clássicos" são muito interessantes. Trazem a nós conhecimentos sobre uma época já inexistente. Interessante que muitos deles formados nas primeiras universidades que surgirão durante a Idade Média, escreveram por incrível que pareça (e muitas vezes esquecemos disso) sem citação ou estrutura.

Pegamo-nos presos a estruturas: introdução, desenvolvimento e conclusão. Com direitos a notas de rodapés, citações, paráfrases, bibliografias. Fontes primárias, secundárias; elas que sejam devidamente certificadas pelos antros do conhecimento. Isso tudo regido pelas quases divinas normas da ABNT.
O mais curioso é que quando fui aprender sobre o objeto que a história estuda. O professor teve que fazer uso de uma metáfora. "Um gato preto, num quarto preto com a luz apagada." Isso numa disciplina que deveria presar pela rigorosidade, a Teoria da História.
Recomendo aqui a leitura de um texto do Guarinello (professor da USP), "Uma morfologia da História: as formas da História Antiga", em que o autor debate sobre a subjetividade, num espaço racional e objetivo, das imposições das formas tão comuns, mas tão pouco indagadas, que estão presente no estudo da história. Como as que vemos na escola: Pré-história, Antiga, Medieval, Moderna e Contemporânea.

Gostaria de começar esse debate por algo que temos muito em comum. A forma de produzir conhecimento. Ambos temos essa impressão que aos poucos foi se transformando numa certeza. Temos que virar superacadêmicos, ou com a sensibilidade de Löwy, para podermos escrever fora desses padrões. Quando me tornar um "clássico", poderei utilizar o 'conhecimento' sem rigorosidadde para produzir conhecimento "verdadeiro" (até que a próxima teoria ganhe o posto de verdadeira).

Espero que essas postagens ajudem na reflexão sobre a produção de conhecimento, história, teorias e outros devaneios que surgiu(ram).

A ampulheta é sua Willian.

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